Algumas pessoas não se identificam com o gênero com o qual nasceram. Para transexuais e transgêneros, a cirurgia de redesignação sexual, também conhecida como mudança de sexo, pode fazer parte da transição física para adequar o corpo a sua identidade de gênero.

A cirurgia para afirmação de sexo é um procedimento complexo e que exige uma intensa preparação pré-operatória. O paciente é legalmente obrigado a passar por um tratamento psicológico e hormonal antes de ser considerado apto a realizar a cirurgia. 

Neste post, vamos falar mais sobre a redesignação sexual, uma operação que carrega tantas dúvidas e polêmicas. Boa leitura!

Histórico da redesignação sexual

O aclamado filme “A Garota Dinamarquesa” conta a história real do pintor Einar Wegener, a primeira pessoa do mundo a passar pela cirurgia de redesignação sexual.

Em 1931, o artista buscou um tratamento experimental e arriscado. Após cinco cirurgias realizadas em um intervalo de dois anos, Lili Elbe (nome posteriormente adotado por Wegener) morreu em decorrência de complicações pós-operatórias.

Apenas 40 anos depois, em 1971, a primeira cirurgia de redesignação sexual foi realizada no Brasil. O médico que conduziu a operação foi condenado pelo Conselho Federal de Medicina por lesões corporais, uma vez que cirurgias desse tipo eram proibidas na época.

Em 1977, foram liberadas em caráter experimental as genitoplastias de feminilização e masculinazação (termos usados na literatura médica para se referir à cirurgia de mudança de sexo). Até então, brasileiros que quisessem passar pelo processo recorriam a clínicas clandestinas ou localizadas no exterior.

Finalmente, em 2008, o governo brasileiro oficializou as cirurgias de redesignação sexual e passou a oferecer o “Processo Transexualizador” à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Critérios para se submeter à redesignação sexual

As cirurgias para redesignação sexual são irreversíveis. Por isso, o paciente deve estar completamente seguro de que seu corpo não corresponde a sua identidade de gênero.

Diversos critérios devem ser atendidos para que o paciente seja considerado apto a passar pelo procedimento. A portaria 2.803, de 19 de novembro de 2013, estipula regras para que homens e mulheres que não se identificam com seu sexo biológico possam passar pelo Processo Transexualizador no Brasil.

As normas que devem ser seguidas incluem:

  • idade mínima de 18 anos para tratamentos hormonais;
  • acompanhamento profissional multidisciplinar (médico e psicológico) mensal por, no mínimo, dois anos antes da realização da(s) cirurgia(s);
  • idade mínima de 21 anos e máxima de 75 anos para cirurgia de construção da neovagina ou do neopênis;
  • laudo psicológico e psiquiátrico favoráveis ao tratamento;
  • diagnóstico médico de transexualidade.

No Brasil, apenas quatro centros são habilitados a conduzir o Processo Transexualizador pelo SUS. O tempo de espera para realizar o tratamento pela rede pública é estimado em 20 anos. Por isso, aqueles que podem, recorrem à assistência particular para concretizar a adequação sexual.

O tratamento hormonal e psicológico pré-cirurgia

A cirurgia para a mudança de sexo não é o primeiro passo da redesignação sexual. Os pacientes que não se identificam com seu sexo biológico e desejam passar pelo processo de adequação são inicialmente avaliados por uma equipe especializada composta por endocrinologistas, ginecologistas, urologistas, obstetras, cirurgiões plásticos, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais.

Cabe a essa equipe multiprofissional analisar cada caso e verificar se o paciente está física e mentalmente apto a prosseguir com a terapia hormonal. Os transexuais que se identificam como mulheres começam, então, a usar hormônios femininos. Como consequência, há uma redistribuição da gordura corporal (com maior concentração nos quadris e nádegas), aumento de mamas e diminuição dos pelos corporais.

Já os transexuais que se identificam como homens recebem tratamento à base de hormônios masculinos. Também ocorre uma redistribuição da gordura corporal, que passa a se concentrar no abdômen. A proliferação de pelos pelo corpo e a alteração no tom de voz são outros efeitos marcantes dessa terapia.

Somente após 2 anos de acompanhamento médico-terapêutico, a cirurgia para a transgenitalização passa a ser uma opção para o paciente. A escolha de se submeter ao processo é pessoal e deve ser baseada em uma série de aspectos:

  • liberação da equipe multidisciplinar de acompanhamento;
  • pleno conhecimento do procedimento cirúrgico;
  • expectativas realistas acerca dos resultados;
  • avaliação crítica dos impactos que a intervenção trará à vida pessoal.

Cirurgia de redesignação sexual para mulheres trans

Como é feita

A transformação da genitália masculina em feminina é o principal e mais complexo procedimento cirúrgico pelo qual mulheres trans (nasceram homens, mas se identificam como mulheres) passam para alcançar sua identidade de gênero.

Além dela, a mamoplastia de aumento e intervenções para feminilização da face e redução do pomo de adão também fazem parte do conjunto de medidas para a redesignação sexual.

Para a construção da neovagina, a paciente recebe anestesia geral e permanece, normalmente, cerca de três horas na mesa de operação. O cirurgião realiza um corte ao longo do saco escrotal e do pênis, tomando cuidado para preservar intactas a uretra e as ramificações nervosas.

Durante a cirurgia, os testículos são removidos (processo conhecido como orquiectomia), porém a pele da bolsa escrotal é preservada. Com isso, há uma diminuição drástica na produção de hormônios masculinos.

O corpo cavernoso do pênis também é retirado. Para abrigar a neovagina, é feito um corte de até 15 centímetros que é revestido com a pele do pênis e do saco escrotal. Os folículos pilosos são cauterizados para evitar o crescimento de pelos na região.

A glande e suas conexões nervosas são mantidas para formar um novo clitóris funcional, ou seja, sensível a estímulos.

Os lábios vaginais são construídos a partir de partes do prepúcio e da pele do escroto. A região sensitiva e vascular do pênis formará o canal vaginal e a nova estrutura ficará com uma profundidade entre 12 a 15 cm e será dotada de sensibilidade. A neovagina pode, portanto, levar a mulher ao orgasmo.

O pós-operatório

Após a cirurgia de modelamento da neovagina, a mulher trans permanece, em média, 3 dias internada no hospital. O repouso absoluto é necessário apenas no primeiro dia do pós-operatório e, normalmente, não há restrição na alimentação.

Os cuidados com a região operada não terminam com a alta hospitalar. Em casa, é preciso manter uma rotina de dilatações vaginais para impedir o colapso da neovagina.

Como qualquer outra cirurgia, a construção da genitália feminina apresenta alguns riscos. Entre eles, podemos destacar:

  • o resultado não ficar como o esperado;
  • dificuldade de cicatrização;
  • formação de fístulas (comunicações anormais) entre a bexiga e a vagina ou o reto;
  • necessidade de cirurgias adicionais para corrigir problemas.

Caso não haja complicações, as atividades físicas e relações sexuais são liberadas cerca de quatro meses após a cirurgia. Como os nervos são preservados, a paciente pode sentir com prazer com a penetração. Entretanto, como a neovagina não apresenta lubrificação, é necessário utilizar lubrificantes durante o ato sexual.

O resultado da cirurgia costuma ser muito satisfatório e nem sempre o parceiro percebe que a vagina da companheira foi gerada por meio de uma cirurgia plástica.

Cirurgia de redesignação sexual para homens trans

Como é feita

O processo para redesignação do sexo biológico feminino é mais difícil e seus resultados não são muito satisfatórios. Ele é realizado em diferentes tempos cirúrgicos e tem início com a remoção dos órgãos sexuais internos (útero e ovários) e das mamas, caso não tenham sido retiradas previamente.

O tratamento com hormônios masculinos ao qual o paciente trans é submetido promove o desenvolvimento do clitóris. Quando a estrutura alcança cerca de 6 cm, pode ser realizada uma nova cirurgia com objetivo de construir o neopênis, também conhecida como metoidioplastia.

Para isso, são feitas incisões ao redor do clitóris, que é desprendido da região pubiana e estendido e reposicionado para ficar em disposição similar à de um pênis. A uretra é alongada usando tecidos provenientes da vagina e passa a terminar na ponta do novo órgão genital.

Os tecidos da vagina e dos pequenos lábios são usados para revestir o neopênis. Com isso, o novo órgão ganha forma, além de preservar a sensibilidade natural da genitália.

Os testículos são formados por próteses de silicone envolvidas por tecido oriundo dos grandes lábios. O resultado é um saco escrotal bastante similar ao natural.

Embora o paciente ganhe a habilidade de urinar em pé e tenha a capacidade de ereção, o pênis resultante é pequeno e pode não promover uma penetração satisfatória. Por isso, o maior resultado da construção do neopênis é psicológico, e não funcional (do ponto de vista sexual) ou estético.

A faloplastia é uma intervenção que pode ser usada após a metoidioplastia para aumentar o volume do neopênis. No Brasil, no entanto, o procedimento só é realizado em caráter experimental e não é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina. Nesse tipo de cirurgia, são usados tecidos de outras partes do corpo, como antebraço ou coxa, para tornar o neopênis mais alongado e grosso.

O pós-operatório

O processo de recuperação da metoidioplastia requer diversos cuidados a fim de evitar possíveis infecções. De acordo com orientação médica, são administrados antibióticos e anti-inflamatórios para minimizar os riscos de complicações.

Além disso, algumas medidas devem ser tomadas para acelerar a recuperação. Entre elas, podemos incluir a restrição à prática de exercícios físicos e ao consumo de bebidas alcoólicas.

Assim como a cirurgia para a construção da neovagina, a metoidioplastia também apresenta riscos, tais como o resultado não ficar como o esperado ou dificuldade de cicatrização. Além deles, o fechamento do trato urinário e a necrose do tecido do pênis são possíveis complicações do processo de transgenitalização masculina.

Os riscos inerentes aos processos de redesignação sexual são minimizados quando as intervenções são feitas por uma equipe médica qualificada e em um ambiente seguro. Seguir as orientações recomendadas para o pós-operatório também é muito importante para que a recuperação transcorra da forma mais tranquila possível.

As cirurgias de mudança de sexo são, muitas vezes, o divisor de águas na vida das pessoas trans. Ter um corpo que acompanha sua identidade de gênero pode significar uma felicidade que essas pessoas nunca tiveram antes, pois é a primeira vez que elas se veem satisfeitas com o próprio corpo.

Agora você já sabe como funcionam as cirurgias para redesignação sexual e quais são os critérios para que o paciente possa ser submetido a elas. Com tantas polêmicas e tabuscercando esse tema, se manter bem informado é fundamental!

Assim, se você quiser ficar por dentro desse e outros assuntos sobre estética e cirurgia plástica, assine nossa newsletter e receba conteúdos exclusivos diretamente em seu e-mail!

pessoas não se identificam com o gênero com o qual nasceram. Para transexuais e transgêneros, a cirurgia de redesignação sexual, também conhecida como mudança de sexo, pode fazer parte da transição física para adequar o corpo a sua identidade de gênero.

A cirurgia para afirmação de sexo é um procedimento complexo e que exige uma intensa preparação pré-operatória. O paciente é legalmente obrigado a passar por um tratamento psicológico e hormonal antes de ser considerado apto a realizar a cirurgia. 

Neste post, vamos falar mais sobre a redesignação sexual, uma operação que carrega tantas dúvidas e polêmicas. Boa leitura!

Histórico da redesignação sexual

O aclamado filme “A Garota Dinamarquesa” conta a história real do pintor Einar Wegener, a primeira pessoa do mundo a passar pela cirurgia de redesignação sexual.

Em 1931, o artista buscou um tratamento experimental e arriscado. Após cinco cirurgias realizadas em um intervalo de dois anos, Lili Elbe (nome posteriormente adotado por Wegener) morreu em decorrência de complicações pós-operatórias.

Apenas 40 anos depois, em 1971, a primeira cirurgia de redesignação sexual foi realizada no Brasil. O médico que conduziu a operação foi condenado pelo Conselho Federal de Medicina por lesões corporais, uma vez que cirurgias desse tipo eram proibidas na época.

Em 1977, foram liberadas em caráter experimental as genitoplastias de feminilização e masculinazação (termos usados na literatura médica para se referir à cirurgia de mudança de sexo). Até então, brasileiros que quisessem passar pelo processo recorriam a clínicas clandestinas ou localizadas no exterior.

Finalmente, em 2008, o governo brasileiro oficializou as cirurgias de redesignação sexual e passou a oferecer o “Processo Transexualizador” à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Critérios para se submeter à redesignação sexual

As cirurgias para redesignação sexual são irreversíveis. Por isso, o paciente deve estar completamente seguro de que seu corpo não corresponde a sua identidade de gênero.

Diversos critérios devem ser atendidos para que o paciente seja considerado apto a passar pelo procedimento. A portaria 2.803, de 19 de novembro de 2013, estipula regras para que homens e mulheres que não se identificam com seu sexo biológico possam passar pelo Processo Transexualizador no Brasil.

As normas que devem ser seguidas incluem:

  • idade mínima de 18 anos para tratamentos hormonais;
  • acompanhamento profissional multidisciplinar (médico e psicológico) mensal por, no mínimo, dois anos antes da realização da(s) cirurgia(s);
  • idade mínima de 21 anos e máxima de 75 anos para cirurgia de construção da neovagina ou do neopênis;
  • laudo psicológico e psiquiátrico favoráveis ao tratamento;
  • diagnóstico médico de transexualidade.

No Brasil, apenas quatro centros são habilitados a conduzir o Processo Transexualizador pelo SUS. O tempo de espera para realizar o tratamento pela rede pública é estimado em 20 anos. Por isso, aqueles que podem, recorrem à assistência particular para concretizar a adequação sexual.

O tratamento hormonal e psicológico pré-cirurgia

A cirurgia para a mudança de sexo não é o primeiro passo da redesignação sexual. Os pacientes que não se identificam com seu sexo biológico e desejam passar pelo processo de adequação são inicialmente avaliados por uma equipe especializada composta por endocrinologistas, ginecologistas, urologistas, obstetras, cirurgiões plásticos, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais.

Cabe a essa equipe multiprofissional analisar cada caso e verificar se o paciente está física e mentalmente apto a prosseguir com a terapia hormonal. Os transexuais que se identificam como mulheres começam, então, a usar hormônios femininos. Como consequência, há uma redistribuição da gordura corporal (com maior concentração nos quadris e nádegas), aumento de mamas e diminuição dos pelos corporais.

Já os transexuais que se identificam como homens recebem tratamento à base de hormônios masculinos. Também ocorre uma redistribuição da gordura corporal, que passa a se concentrar no abdômen. A proliferação de pelos pelo corpo e a alteração no tom de voz são outros efeitos marcantes dessa terapia.

Somente após 2 anos de acompanhamento médico-terapêutico, a cirurgia para a transgenitalização passa a ser uma opção para o paciente. A escolha de se submeter ao processo é pessoal e deve ser baseada em uma série de aspectos:

  • liberação da equipe multidisciplinar de acompanhamento;
  • pleno conhecimento do procedimento cirúrgico;
  • expectativas realistas acerca dos resultados;
  • avaliação crítica dos impactos que a intervenção trará à vida pessoal.

Cirurgia de redesignação sexual para mulheres trans

Como é feita

A transformação da genitália masculina em feminina é o principal e mais complexo procedimento cirúrgico pelo qual mulheres trans (nasceram homens, mas se identificam como mulheres) passam para alcançar sua identidade de gênero.

Além dela, a mamoplastia de aumento e intervenções para feminilização da face e redução do pomo de adão também fazem parte do conjunto de medidas para a redesignação sexual.

Para a construção da neovagina, a paciente recebe anestesia geral e permanece, normalmente, cerca de três horas na mesa de operação. O cirurgião realiza um corte ao longo do saco escrotal e do pênis, tomando cuidado para preservar intactas a uretra e as ramificações nervosas.

Durante a cirurgia, os testículos são removidos (processo conhecido como orquiectomia), porém a pele da bolsa escrotal é preservada. Com isso, há uma diminuição drástica na produção de hormônios masculinos.

O corpo cavernoso do pênis também é retirado. Para abrigar a neovagina, é feito um corte de até 15 centímetros que é revestido com a pele do pênis e do saco escrotal. Os folículos pilosos são cauterizados para evitar o crescimento de pelos na região.

A glande e suas conexões nervosas são mantidas para formar um novo clitóris funcional, ou seja, sensível a estímulos.

Os lábios vaginais são construídos a partir de partes do prepúcio e da pele do escroto. A região sensitiva e vascular do pênis formará o canal vaginal e a nova estrutura ficará com uma profundidade entre 12 a 15 cm e será dotada de sensibilidade. A neovagina pode, portanto, levar a mulher ao orgasmo.

O pós-operatório

Após a cirurgia de modelamento da neovagina, a mulher trans permanece, em média, 3 dias internada no hospital. O repouso absoluto é necessário apenas no primeiro dia do pós-operatório e, normalmente, não há restrição na alimentação.

Os cuidados com a região operada não terminam com a alta hospitalar. Em casa, é preciso manter uma rotina de dilatações vaginais para impedir o colapso da neovagina.

Como qualquer outra cirurgia, a construção da genitália feminina apresenta alguns riscos. Entre eles, podemos destacar:

  • o resultado não ficar como o esperado;
  • dificuldade de cicatrização;
  • formação de fístulas (comunicações anormais) entre a bexiga e a vagina ou o reto;
  • necessidade de cirurgias adicionais para corrigir problemas.

Caso não haja complicações, as atividades físicas e relações sexuais são liberadas cerca de quatro meses após a cirurgia. Como os nervos são preservados, a paciente pode sentir com prazer com a penetração. Entretanto, como a neovagina não apresenta lubrificação, é necessário utilizar lubrificantes durante o ato sexual.

O resultado da cirurgia costuma ser muito satisfatório e nem sempre o parceiro percebe que a vagina da companheira foi gerada por meio de uma cirurgia plástica.

Cirurgia de redesignação sexual para homens trans

Como é feita

O processo para redesignação do sexo biológico feminino é mais difícil e seus resultados não são muito satisfatórios. Ele é realizado em diferentes tempos cirúrgicos e tem início com a remoção dos órgãos sexuais internos (útero e ovários) e das mamas, caso não tenham sido retiradas previamente.

O tratamento com hormônios masculinos ao qual o paciente trans é submetido promove o desenvolvimento do clitóris. Quando a estrutura alcança cerca de 6 cm, pode ser realizada uma nova cirurgia com objetivo de construir o neopênis, também conhecida como metoidioplastia.

Para isso, são feitas incisões ao redor do clitóris, que é desprendido da região pubiana e estendido e reposicionado para ficar em disposição similar à de um pênis. A uretra é alongada usando tecidos provenientes da vagina e passa a terminar na ponta do novo órgão genital.

Os tecidos da vagina e dos pequenos lábios são usados para revestir o neopênis. Com isso, o novo órgão ganha forma, além de preservar a sensibilidade natural da genitália.

Os testículos são formados por próteses de silicone envolvidas por tecido oriundo dos grandes lábios. O resultado é um saco escrotal bastante similar ao natural.

Embora o paciente ganhe a habilidade de urinar em pé e tenha a capacidade de ereção, o pênis resultante é pequeno e pode não promover uma penetração satisfatória. Por isso, o maior resultado da construção do neopênis é psicológico, e não funcional (do ponto de vista sexual) ou estético.

A faloplastia é uma intervenção que pode ser usada após a metoidioplastia para aumentar o volume do neopênis. No Brasil, no entanto, o procedimento só é realizado em caráter experimental e não é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina. Nesse tipo de cirurgia, são usados tecidos de outras partes do corpo, como antebraço ou coxa, para tornar o neopênis mais alongado e grosso.

O pós-operatório

O processo de recuperação da metoidioplastia requer diversos cuidados a fim de evitar possíveis infecções. De acordo com orientação médica, são administrados antibióticos e anti-inflamatórios para minimizar os riscos de complicações.

Além disso, algumas medidas devem ser tomadas para acelerar a recuperação. Entre elas, podemos incluir a restrição à prática de exercícios físicos e ao consumo de bebidas alcoólicas.

Assim como a cirurgia para a construção da neovagina, a metoidioplastia também apresenta riscos, tais como o resultado não ficar como o esperado ou dificuldade de cicatrização. Além deles, o fechamento do trato urinário e a necrose do tecido do pênis são possíveis complicações do processo de transgenitalização masculina.

Os riscos inerentes aos processos de redesignação sexual são minimizados quando as intervenções são feitas por uma equipe médica qualificada e em um ambiente seguro. Seguir as orientações recomendadas para o pós-operatório também é muito importante para que a recuperação transcorra da forma mais tranquila possível.

As cirurgias de mudança de sexo são, muitas vezes, o divisor de águas na vida das pessoas trans. Ter um corpo que acompanha sua identidade de gênero pode significar uma felicidade que essas pessoas nunca tiveram antes, pois é a primeira vez que elas se veem satisfeitas com o próprio corpo.

Agora você já sabe como funcionam as cirurgias para redesignação sexual e quais são os critérios para que o paciente possa ser submetido a elas. Com tantas polêmicas e tabuscercando esse tema, se manter bem informado é fundamental!

Assim, se você quiser ficar por dentro desse e outros assuntos sobre estética e cirurgia plástica, assine nossa newsletter e receba conteúdos exclusivos diretamente em seu e-mail!

pessoas não se identificam com o gênero com o qual nasceram. Para transexuais e transgêneros, a cirurgia de redesignação sexual, também conhecida como mudança de sexo, pode fazer parte da transição física para adequar o corpo a sua identidade de gênero.

A cirurgia para afirmação de sexo é um procedimento complexo e que exige uma intensa preparação pré-operatória. O paciente é legalmente obrigado a passar por um tratamento psicológico e hormonal antes de ser considerado apto a realizar a cirurgia. 

Neste post, vamos falar mais sobre a redesignação sexual, uma operação que carrega tantas dúvidas e polêmicas. Boa leitura!

Histórico da redesignação sexual

O aclamado filme “A Garota Dinamarquesa” conta a história real do pintor Einar Wegener, a primeira pessoa do mundo a passar pela cirurgia de redesignação sexual.

Em 1931, o artista buscou um tratamento experimental e arriscado. Após cinco cirurgias realizadas em um intervalo de dois anos, Lili Elbe (nome posteriormente adotado por Wegener) morreu em decorrência de complicações pós-operatórias.

Apenas 40 anos depois, em 1971, a primeira cirurgia de redesignação sexual foi realizada no Brasil. O médico que conduziu a operação foi condenado pelo Conselho Federal de Medicina por lesões corporais, uma vez que cirurgias desse tipo eram proibidas na época.

Em 1977, foram liberadas em caráter experimental as genitoplastias de feminilização e masculinazação (termos usados na literatura médica para se referir à cirurgia de mudança de sexo). Até então, brasileiros que quisessem passar pelo processo recorriam a clínicas clandestinas ou localizadas no exterior.

Finalmente, em 2008, o governo brasileiro oficializou as cirurgias de redesignação sexual e passou a oferecer o “Processo Transexualizador” à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Critérios para se submeter à redesignação sexual

As cirurgias para redesignação sexual são irreversíveis. Por isso, o paciente deve estar completamente seguro de que seu corpo não corresponde a sua identidade de gênero.

Diversos critérios devem ser atendidos para que o paciente seja considerado apto a passar pelo procedimento. A portaria 2.803, de 19 de novembro de 2013, estipula regras para que homens e mulheres que não se identificam com seu gênero biológico possam passar pelo Processo Transexualizador no Brasil.

As normas que devem ser seguidas incluem:

  • idade mínima de 18 anos para tratamentos hormonais;
  • acompanhamento profissional multidisciplinar (médico e psicológico) mensal por, no mínimo, dois anos antes da realização da(s) cirurgia(s);
  • idade mínima de 21 anos e máxima de 75 anos para cirurgia de construção da neovagina ou do neopênis;
  • laudo psicológico e psiquiátrico favoráveis ao tratamento;
  • diagnóstico médico de transexualidade.

No Brasil, apenas quatro centros são habilitados a conduzir o Processo Transexualizador pelo SUS. Eles devem contar com uma equipe especializada composta por endocrinologistas, ginecologistas, urologistas, obstetras, cirurgiões plásticos, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais.

O tempo de espera para realizar o tratamento pelo SUS é estimado em 20 anos. Por isso, aqueles que podem, recorrem à rede particular para concretizar a adequação sexual.

Redesignação sexual para mulheres trans

A transformação da genitália masculina em feminina é o principal e mais complexo procedimento cirúrgico pelo qual mulheres trans (nasceram homens, mas se identificam como mulheres) passam para alcançar sua identidade de gênero.

Além dela, a mamoplastia de aumento e intervenções para feminilização da face e redução do pomo de adão também fazem parte do conjunto de medidas para a redesignação sexual.

Para a construção da neovagina, a paciente recebe anestesia geral e permanece, normalmente, cerca de três horas na mesa de operação. O cirurgião realiza um corte ao longo do saco escrotal e do pênis, tomando cuidado para preservar intactas a uretra e as ramificações nervosas.

Durante a cirurgia, os testículos são removidos, diminuindo drasticamente a produção de hormônios masculinos. O corpo cavernoso do pênis também é retirado. A glande e suas conexões nervosas são mantidas para formar o novo clitóris.

Os lábios vaginais são construídos a partir de partes do prepúcio e do escroto. A pele do pênis formará o canal vaginal, estrutura com profundidade entre 12 a 15 cm e dotada de sensibilidade. A neovagina pode, portanto, levar a mulher ao orgasmo.

Após a cirurgia, a paciente precisa usar moldes intravaginais que vão impedir que o canal formado se feche. Os moldes são substituídos por tamanhos gradativamente maiores. Após cerca de quatro meses, a paciente pode retomar a vida sexual com penetração e com prazer.

O resultado da cirurgia costuma ser muito satisfatório e nem sempre o parceiro percebe que a vagina da companheira foi gerada por uma cirurgia plástica.

Redesignação sexual para homens trans

O processo para redesignação do sexo biológico feminino é mais difícil e seus resultados não são muito satisfatórios. Ele é realizado em diferentes tempos cirúrgicos e tem início com a remoção dos órgãos sexuais internos (útero e ovários) e das mamas, caso não tenham sido retiradas previamente.

A partir daí, o paciente é submetido a um tratamento hormonal. Além de tornar a voz mais grave e estimular o crescimento de pelos pelo corpo, a ingestão de testosterona promove o desenvolvimento do clitóris. Quando a estrutura alcança cerca de 6 cm, é realizada uma segunda cirurgia com objetivo de construir o neopênis.

Para isso, o clitóris estendido é reposicionado para ficar em posição similar à de um pênis. A uretra é alongada usando tecidos provenientes da vagina e passa a terminar na ponta do novo órgão genital.

Os testículos são formados por próteses de silicone envolvidas por tecido oriundo dos grandes lábios. O resultado é um saco escrotal bastante similar ao natural.

Embora o paciente ganhe a habilidade de urinar em pé e tenha a capacidade de ereção, o pênis resultante é pequeno e quase não serve para a penetração. Por isso, o maior resultado da construção do neopênis é psicológico, e não funcional (do ponto de vista sexual) ou estético.

As cirurgias de mudança de sexo são, muitas vezes, o divisor de águas na vida das pessoas trans. Ter um corpo que acompanha sua identidade de gênero pode significar uma felicidade que essas pessoas nunca tiveram antes, pois é a primeira vez que elas se vêem satisfeitas com o próprio corpo.

Agora você já sabe como funcionam as cirurgias para redesignação sexual e quais são os critérios para que o paciente possa ser submetido a elas. Com tantas polêmicas e tabus cercando esse tema, se manter bem informado é fundamental!

Assim, se você quiser ficar por dentro desse e outros assuntos sobre estética e cirurgia plástica, assine nossa newsletter e receba conteúdos exclusivos diretamente no seu e-mail!